Na madruga do dia sete, umas quase duas da manhã, um carro deu com cara no muro da oficina de costura. Ouvido pelo menos há dois quarteirões, deixou marcado nos lábios da porta de correr dois desconexos sorrisos. Um deles por conta da destruição do panóptico e suas oito câmeras de alta definição, que nada puderam fazer a não ser um plano em close-up do automóvel. Do outro lado a risada foi mais discreta. Deslizou apenas uma porção das pernas do armário, cujo detalhe era um suspiro sofrido da renda a lhe cobrir os joelhos, por conta da chuva destilando segredos àquela madrugada.
As leguminosas na janela seguem acompanhando os desdobramentos do ocorrido; pelos sussurros de minha tosse seca, ao que parecem foram a colocação de tapumes e vigas evitando assim o desabar de mais dentes naquela esfacelada boca. De acordo com o cactus, de cabelos ruivos pela manhã, a empresa do panóptico foi responsável pelo homiliar dos pés de cabra. Rosários raivosos em salários de domingo.
Na tarde do dia sete, de fofoca em fofoca, o xaxim concluiu que estamos diante de um início de guerra civil. Enquanto comprava coletes e capacetes no site varejista do dono de jornal, explicou:
— é só perceber que o que aconteceu esses dias todos nas ruas. buzinas cada vez mais raivosas, freadas mais bruscas, ameaças etc. semana passada um a berrar “comunista maldito!” fez a curva urrando e atropelou o morador de rua. ontem, outro viu um sorriso na parede e não teve dúvidas, entrou com os dois pés no rosto. só não vê quem não quer.
Enquanto digitava a autentificação de dois fatores, era possível ver a sublimação do ar em sua enervada respiração. Um rapaz de aproximadamente vinte anos, camiseta laranja, toma um iogurte encostado na rampa do caixa eletrônico. Era possível perceber xaxim pensando o quanto ali estava uma possível próxima vítima.