O cheiro rasgou o quarteirão, não sem antes alvejar-lhe o rosto;

cacto mal passado descendo pelas narinas.

Espinhos em riste. Era como nada.

Quintal escuro. Luzes todas apagadas.

Só o cheiro.

O céu do interior. Dos sonhos da menina, ancoradouro.

Madrugada ao meio.

Escuridão.

As sobras da vida que eram nada. Seus restos.

Tentando por inércia juntá-los.

Nem o céu deitou-lhe abrigo, muito menos as madeiras.

Da tábua de passar, apenas vestígios do cotidiano,

àquele amontoado de roupas do preguiça.

Talvez até por isso, por essa desconexão d’alma com o mundo,

foi incapaz de sentir a ponta do ferro de passar fervente.

Dissolvendo a pele enquanto amolecia o osso do tornozelo;

o sangue aquecendo um mindinho escondido.

Entre o pânico e os estalidos da brasa.