Estou muito feliz pelas vitórias de Dona Tânia Maria.

Para além das edificantes mensagens de otimismo que possam ser usadas como armas progressistas no simulacro de guerra cultural que alimenta factoides fascistoides ou algum libelo sobre a meritocracia da luta, que o realismo capitalista adora perpetuar como realização.

O sol pela manhã em subordinação adjetiva.

Os prédios recuam aos raios, que distorcem o concreto.

Recolho pequenos pedaços de pele

deixados na plataforma ao descanso.

Indicadores de uma tensão.

Os levo até a pia me despeço pela corrente d’água.

Eles me desprezam.

Os enterro vivos pois são restos arrancados tal passado.

Cederão espaço a uma nova pele

a moldar-se através do tempo

até escorrerem pela água, mortos.

Todos nós nascemos de um sangramento.

O bolo de chocolate, feito com leite de amêndoas, está no forno.