Sou uma pessoa de obsessões.

A palavra certa seria obsessivo.

Quando escrevo obsessivo é literalmente até o ponto de ruptura mental.

Atualmente estou obcecado com a banda Geese, principalmente a

musicalidade de Emily Green e as letras de Cameron Winter. Ouço tudo

repetidamente:

Getting Killed, trinta e duas vezes;

3D Country, vinte e três;

Projector, onze;

Alive & In Person, seis;

4D Country, oito.

Estou na fase de entrevistas, então leio exaustivamente tudo. Semana que vem retomo a obsessão por ver vídeos do grupo. Fazia algum tempo que eu não ficava obsessivo com uma banda. A última foi Dry Cleaning, há uns seis anos atrás. Continuo dissolvido por Florence Shaw, entretanto, de uma maneira sóbria.

Contudo, não me peçam parcimônia com Cameron ou Emily.

Não agora.

Tenho obsessões, sou obsessivo e estou obcecado.

O que amo nos dois é a maneira como torcem minha alma.

Existem sintagmas dentro da arte que transpassam o peito tal linha de aço. Matilde Campilho faz isso em seus contos.Curvas sênicas ou cossênicas feito um adriático meditativo.De repente, uma decapitação.

As letras de Cameron são assim. Tudo vai bem, até que rompe pelo estribo a frase “de agora em diante eu mesmo destruirei meu coração”. ou “eles podem dizer que nosso amor foi apenas meio real, mas isso é uma meia verdade”. Tudo isso embalado pela hipnose produzida por Emily, que sempre desliza uma dissonância por entre o mantra.

Dia desses escondi lágrimas na academia enquanto ouvia Half Real.

Na rua elas são livres.

Terminei a tradução. Fiquei feliz por entender que tenho capacidade de construir esse gênero textual. Por conta do tempo, nasceu em padrões capitalistas, contudo descortinou-se uma esperança lã.

Algo raro dentro do meu peito.

O conto segue.

O frio veio visitar a vizinhança. Disse precisar chegar pois uma confusão na família o expulsou das férias. Mas por enquanto apenas troca confissões com as folhas. Em sonho, elas passam o dia a beijar o vento.

A córnea do personagem enxerga o que meus olhos busca.