O novo conto andou depois de duas semanas.

Destravou-se após cessar o pensamento nas palavras da terapeuta.

Faço terapia há cinco anos dentro da cota de pacientes gratuitos. Ela também

deixou no ar (como tode terapeuta deixa) que deveria sair nesse carnaval e

participar ativamente da folia. Meu corpo precisa sentir a rua, ela disse.

Parece até contrassenso um escritor que precisa sentir a rua.

Costumo sair ao rotineiro, de vez em quando um desvio do cartesiano. O que

sei costuma sempre ser perto do meu quintal.

Não é uma questão de ter medo da vida. É a inundação que apavora.

A vida costuma ser tão intensa que não foram uma nem duas vezes que

qualquer estímulo me rodeia o liquefazer dos cílios pelo salgado a sublimar

antes mesmo de chegar ao solo, por conta deste calor de inferno térmico

paulistano.

Eu falo sozinho, algumas vezes também choro na rua.

É a vida que me rouba o tom. Que me leva nos arrabaldes dos prédios

em térmicas com dentes à mostra.

Não é mordedura.

É furor. É o sangue que explode que nem pipoca em uma casa sem janelas

com fontes de luz nos cômodos. É um pulso que revira-me ao avesso toda a

vez que a luz incide na diagonal das folhas, destemidamente encarando o azul

no céu, lá pelas onze da manhã.

Pronto, agora estou chorando na cadeira…